Arquivo de Julho, 2008

09
Jul
08

José Goulão o labirinto da conspiração

Este não é um livro recente. O labirinto da conspiração de João Goulão, foi editado pela Caminho no já distante ano de 1986.

O labirinto da conspiração, analisa três vértices da conspiração internacional: a maçonaria (nomeadamente a loja P2), a máfia e a Opus Dei. No essencial, parece-me que Goulão procurou expor aos olhos do leitor as realidades não visíveis, mas que podem ser precepcionadas, e que de uma forma ou de outra acabam por ter relevância no fluxo da sociedade.

Teias, ligações, compadrios, amiguismos, corrupções, tudo na calada do segredo típico de organizações secretas (que por algum motivo querem ser secretas…). Igreja, poder económico, poder político, serviços secretos, grupos bombistas. Poder e dinheiro, muito dinheiro. Os traços comuns de todas estas organizações, os objectivos finais de todas.  

Analisando o livro hoje, é fácil notar alguma desactualização, mas também se pode notar o intenso trabalho de busca e investigação feito pelo seu autor. E nestas coisas, há uma coisa que deve ser dita, escrever o que foi escrito, foi também um acto de coragem. 

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04
Jul
08

Isabel Allende A casa dos espíritos

Não obstante as afamadas qualidades literárias da autora, para mim A casa dos espíritos foi uma agradável surpresa. Confesso que o início do livro não permitia antever um final tão belo.

A casa dos espíritos é um livro sobre uma família da burguesia chilena (para bom entendedor meia-plavra bsta!), sobre a sua ascensão social, sobre os seus membros, características e personalidades. As desventuras amorosas e sociais de uma família-bem, que no entanto acaba por ser extraordinariamente heterogénea nas visões do mundo.

Objectivamente, é um livro sobre desilusão, e sobre as mudanças, desilusões amorosas e políticas, as mudanças sociais.

O climax do livro é o processo eleitoral que conduziu Allende ao poder no Chile, e a revolução de extrema-direita levada a cabo pelas forças conservadoras e militares, com a face mais visível de pinochet.  destaco este aspecto, porque uma (a) personagem central na obra é o patriarca da família, homem conservador, que tudo fez para que Allende não chegasse ao poder, e não o conseguindo tudo fez para que este fosse destituído. E aí surge a sua desilusão, por ter contribuido para a implantação de um regime que conduziu a sua pátria para a desgraça e a sua neta para a tortura.

O livro é isto, uma visão do Chile no século XX, mas dos conturbados anos 70 em particular.